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| Entrevistas | Entrevista com o Engenheiro Fernando Moreira -  Presidente do INOV |


Engenheiro Fernando Moreira -  Presidente do INOV

Com quase 8 anos de existência, qual é o balanço que efectua da actividade do INOV, enquanto infra-estrutura tecnológica. Tem respondido com sucesso à sua missão de transferir tecnologia e contribuir para a inovação empresarial?

O INOV trouxe do INESC uma forte experiência nas valências requeridas a uma Infra-Estrutura Tecnológica (IT) tal como entendida pelo PEDIP II e evoluída no POE e PRIME. Entre elas está seguramente a transferência de tecnologia mas não podemos esquecer, até para a realização completa da missão de apoio ao tecido económico visando aumentos de competitividade através da introdução de inovação, a importância do desenvolvimento e demonstração tecnológicas (nas nossas áreas nucleares de electrónica, telecomunicações e tecnologias de informação) e da formação avançada e em ambiente para-empresarial de pessoas. Tudo isto com um posicionamento estratégico na charneira Universidade – Indústria.
À entrada do 8º ano de existência do INOV podemos, com propriedade, dizer que conseguimos implantar-nos como entidade de referência nas actividades e áreas de intervenção que vimos atrás. E somos reconhecidos como tal, não só pelas realizações em si (consubstanciadas em última análise em sede orçamental) mas também pelas indicações que colhemos “no terreno” e, mais formalmente, pelos muito bons indicadores que temos na grande maioria das métricas utilizadas pela Agência de Inovação para analisar o desempenho das Infra-Estruturas Tecnológicas na última década. Claro que temos de melhorar, há sempre campo para melhorar, e um ou outro instrumento de inovação ainda nos escapa ou tem expressão pontual ou reduzida (vg, empreendedorismo, internacionalização de soluções), mas genericamente fomos capazes de interpretar correctamente o que se espera de nós e realizá-lo na prática.
 
Que tipo de área tecnológica e actividade tem demonstrado um crescimento mais evidenciado ao longo desses anos e que identifica como estratégico para o País se diferenciar e constituir um player de referência?
Temos a clara percepção que a nossa aposta em soluções de monitorização remota permite responder a um vasto conjunto de necessidades actuais e futuras, reconhecidas e percebidas pelos diferentes actores da economia. Sendo que as soluções a que me refiro (sejam elas monitorização marítima – MONICAP; gestão de frotas terrestres – XTraN, transferido para a TECMIC; videovigilância de grandes áreas – CICLOPE; gestão de veículos aero-portuários, SAFEGROUND; etc) integram um conjunto de valências internas ao INOV que constituem a nossa base de conhecimento e evolução científica e tecnológica. Ou seja, as unidades remotas têm mais ou menos electrónica (incluindo sensores, unidades de alimentação, processamento de sinais, ...), necessitam de design e engenharia de produto, comunicam remotamente por uma qualquer rede de telecomunicações (fixa e/ou móvel, terrestre ou espacial) e alimentam sistemas de informação que permitem visualizações tipicamente em sistemas de informação geográfica e armazenam dados em sistemas estruturados de gestão de bases de dados. Eventualmente em ambiente web.

Com base nas valências tecnológicas nucleares apontadas atrás, o nosso papel nos sistemas de monitorização remota tem-se solidificado e permitido criar mais e inovadoras soluções que permitem monitorar e/ou controlar remotamente dispositivos tão variados como navios, contentores, viaturas, pessoas, câmaras de filmar, etc, bem como monitorar diversos parâmetros tais como nível de água, temperatura (ar ou água), propriedades do vento, etc, e mais ainda proporcionar soluções de gestão de negócio que prolongam os sistemas de informação empresariais até aos elementos capilares no terreno.

É claro que sentimos que soluções tecnológicas para a área médica, ou para energias renováveis, têm um forte potencial de crescimento. Mais uma vez, a nossa afirmação aqui passa por impôr as nossas capacidades nas áreas tecnológicas nucleares, algumas delas quase únicas em termos nacionais.

 
Quais são os desafios que estabelece para o futuro? Especialmente em termos de internacionalização e empreendorismo?
Os nossos objectivos estratégicos passam por, suportando a actividade na cooperação com a Universidade, criar caminhos para o aproveitamento pelo tecido económico das diversas actividades que desenvolvemos. E estão nesse leque de objectivos-desafio temas como a realização de parcerias fortes e de alto valor acrescentado com a indústria, empresas e outros centros de saber nacionais e internacionais (o envolvimento com uma aproximação estruturada de parcerias internacionais é um caminho a privilegiar: aguardamos que esse seja o percurso que se consiga trilhar nos acordos com CMU, MIT, Austin, Fraunhoffer, etc); a diminuição da dependência de apoios estruturais (necessários contudo para uma postura pro-activa de Infra-Estrutura Tecnológica nas vertentes de subvenção de actividades movidas pela oferta); a internacionalização da actividade (também pela continuação do envolvimento em projectos europeus de I&D mas sobretudo pelo aumento da vertente de exportação de soluções e know-how: as nossas realizações nos PALOPs devem continuar e multiplicar-se) e finalmente o empreendedorismo. O INOV tem a decorrer várias parcerias onde institucionalmente poderemos gerar bons exemplos de criação de spin-offs e/ou start-ups, sendo que temos construído nos últimos tempos uma postura organizacional que ajuda esta vertente da inovação, com uma participação já criada (Forestland) e duas em embrião (PET e TURBAN).

Pegando no desafio específico colocado na internacionalização e empreendedorismo devo notar, contudo, que ambos dependem de um investimento de um dos ingredientes fundamentas e o mais nobre da inovação: os inovadores. Na verdade, não há internacionalização nem empreendedorismo significativos sem apostas (e mesmo sacrifícios) fortes dos INOVianos: temos de acreditar no potencial dos resultados, e acho que temos bons exemplos do que pode ser uma tal aposta e dos benefícios institucionais que a “nossa casa mãe” INOV colhe do seu cultivo. Conto com todos nós para levarmos avante estes temas que tanto nos têm ocupado as reflexões mas em relação aos quais ainda não conseguimos os resultados que todos desejariamos.

 
Estando identificada a necessidade de as nossas empresas funcionarem mais em redes de cooperação para melhor competir em mercados cada vez mais exigentes, quais são as valências de Institutos como o INOV para agilizar este processo, ou seja como podem contribuir positivamente para a criação e dinamização de parcerias?
O conjunto de valores em que o INOV assenta a sua actuação é demonstrativo do papel importante que os Institutos de I&D têm na inovação em Portugal. E são eles: Educação e Formação de colaboradores; Postura de Inovação; Confiança; Agilidade; Humildade, Eficiência; Competência e “Networking”. É com estes ingredientes que conseguimos trabalhar com PMEs, grandes empresas, multinacionais, organismos públicos (centrais e locais), tomando diversos papéis consoante as necessidades, desde divulgação/disseminação tecnológica (que pode ser simples aconselhamento ou mais profunda vigilância tecnológica), parceiro em projectos, fornecedor de serviços, broker de tecnologia, apoio técnico e tecnológico. A capacidade de assumir todos estes papéis, alicerçada nas valências técnico-científicas que permitem defendê-los com propriedade, dá-nos as caracteristicas necessárias e suficientes para lançarmos actividades de inovação com virtualmente qualquer tipo de actor económico.
 
Ainda em relação à questão anterior e, na sua opinião, o actual QREN e respectivos programas operacionais identificam e reconhecem as infra-estruturas tecnológicas como mecanismos efectivos do chamado sistema nacional de inovação? E julga que os mecanismos de incentivos que lhes estão destinados são os mais adequados olhando para as práticas/modelos de outros países da EU?
Do ponto de vista de uma análise directa, pode dizer-se que o QREN criou alguns mecanismos para estimular o estabelecimento de parcerias com as ITs, seja através das já conhecidas majorações (nomeadamente no SI I&DT), seja através dos vales de I&D (mesmo que ainda não estejam a concurso nesta data). Esta é a parcela correspondente ao estímulo à procura das capacidades das ITs e abrange uma parte da sua actividade.
Mas as ITs desenvolvem ainda um conjunto de actividades de carácter mais horizontal, que constituem um valioso e relevante serviço e/ou que são indispensáveis ao desenvolvimento das funções que respondem à procura que referi acima. Exemplos são a disseminação de informação e boas práticas, a vigilância tecnológica e de mercados, actividades de normalização e certificação, a criação de bases de dados ou bibliotecas sectoriais/temáticas, o desenvolvimento de algumas actividades e projectos de I&D em áreas emergentes ou exploratórias, para as quais o mercado ainda não está receptivo, a realização de estudos de exequibilidade e a definição de estratégias, a participação em fora nacionais e internacionais, o aconselhamento, etc. A natureza destas actividades dita a necessidade do seu financiamento pela oferta. Para estas actividades ainda falta a definição da estratégia do QREN e da sua expectativa em relação ao papel das ITs criadas no PEDIP II e que têm vindo a consolidar a sua implantação no tecido económico.
Estamos em crer que a gestão do QREN olhará com muita atenção para este tema e que em breve teremos novidades sobre as medidas específicas para as ITs. Que privilegiem as boas práticas, que sejam plurianuais, que sejam de âmbito nacional (demonstrando uma visão supra-fronteiras administrativas em relação às actividades de I&DT) e que assentem em programas de apoio à oferta e à procura.
A comparação com as práticas europeias terá de ser feita com o conhecimento das medidas que vierem a ser propostas. Até agora não tem sido interessante. E basta considerar o modelo proposto para o conhecido Fraunhofer Portugal, que nos seus documentos preliminares preconiza um modelo financeiro semelhante aos outros Fraunhofer, e que é: 1/3 do orçamento a fundo perdido, 1/3 do orçamento vindo de projectos em regime concorrencial, e o restante 1/3 realizado por prestações de serviços. Muito bem andariamos nós em Portugal se conseguissemos algo semelhante a este modelo (no INOV a antiga Medida 5.1A representou em média cerca de 20% do nosso orçamento), já para não falar em questões como o atraso monumental nos recebimentos: nesta data ainda não recebemos o adiantamento da Medida 5.1A de 2007...
 

 

 
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